Max Payne 3: uma boa trama policial que se repete em demasia

Confesso que meu background com a franquia Max Payne é franquíssimo. Dá para resumir em minutos o meu tempo gasto com os dois primeiros jogos da saga. Um erro, eu reconheço. Sendo assim, todo meu conhecimento a cerca de Max Payne deriva de conversas com amigos, vídeos e textos de saudosistas. Disto sempre soube da qualidade do jogo no seu modo de contar histórias, do incrível modo bullet time e a perfeição com que este era executado e, claro, a cara de maracujá de Payne.

NOJINHO !

Sendo assim evitarei qualquer tipo de comparações com os antigos jogos e me focarei no trabalho que a Rockstar fez tanto no jogo em si quanto na revitalização de um personagem que é marcado na história dos video games até hoje positivamente.

Um novo Max e uma nova cidade

Max Payne é um ex-policial que após falhar com as pessoas que gostava (e elas acabarem mortas) vive bêbado circulando pelos bares de New Jersey. Um dia é convidado por um velho amigo de academia chamado Raul Passos a ir ao Brasil ser guarda-costas da rica família Branco. Escapar de uma situação complicada que o forçava a sair de NJ e com a esperança de poder dar um ar novo a sua vida miserável, Max aceita a oferta.

E é aí que mora o grande destaque de Max Payne 3 para mim. A trama é digna de um bom filme policial. Max é um baita protagonista e tudo que você passa é junto com eles, das dúvidas as descobertas, que vão de momentos presentes a flashbacks. Os momentos de lembrança deles, por exemplo, tentam buscar um pouco o clima dos jogos originais numa NJ escura, que contrasta totalmente com os segmentos em São Paulo. A revitalização do personagem é perfeita. Max passa por um grande dilema por todo a história e isso casa totalmente com o personagem. Você acompanha com ele a sua volta e como ela acontece.

O jogo passa por várias áreas diferentes. Favela, barco de luxo, rodoviária, prisão, cemitério, festas da high society, dentre outras e, em todas elas, a imersão é gigante. Cada detalhe foi desenvolvido com cuidado. Não há momentos em que você estranha uma cenário por achá-la muito artificial, por exemplo, o que é comum em alguns jogos deste estilo. Os detalhes estão lá e dão veracidade e realismo ao local.

São Paulo está belíssima no jogo. Não aquela beleza de turismo que é o padrão, mas sim a beleza de seus locais mais humanos. A favela, por exemplo, é, na minha opinião, o local mais lindo do jogo. Cada detalhe está lá. As ruas estreitas, as casas apertadas, os moradores conversando na rua e até mesmo uma pequena quadra de futebol com uns garotinhos batendo bola (que, aliás, rendem um dos momentos mais engraçados do jogo, né, Sebastião ?).

E não só São Paulo, mas o jogo todo está belo. Joguei no XBOX 360 e os gráficos estão fantásticos. Um dos mais belos jogos desta geração, na minha opinião. As texturas estão afiadas, até poro da pele dos personagens é possível ver. A movimentação deles também é extremamente bem feita, assim como todas as suas animações. O jogo é extremamente fluido graficamente, além da beleza de seus cenários que eu já mencionei.

Neste vídeo vemos outro ponto alto que não existe só para nós brasileiros, mas também para os jogadores de outros países: as falas em português. Como o jogo é no Brasil, o correto é todo mundo que é daqui falar português, né ? Pois é, isso acontece 90% das vezes durante o jogo. Os bandidos te xingam, a galera fala mal de ti e etc. Tirando alguns momentos em que é meio forçado a fala de dubladores que não são brasileiros ou de personagens que desenrolam um inglês não se de onde (tipo um dono de bar do meio do nada). Ah, por que o ponto alto pros gringos ? As faltas em português não foram traduzidas. Eles não entendem nada, assim como o Max.

Os personagens são outro grande destaque da história. Max, por si só, já ‘valeria o ingresso’, mas os outros personagens também acabam se tornando interessantes e chamando sua atenção no decorrer do jogo. Marcelo, Passos, Giovanna e todos os outro contribuem para um enredo mais rico. A personalidade é presente, apesar de alguns clichês clássicos, como o riquinho drogado e a dama indefesa. Mas não é disso que o jogo trata ? Afinal, Max é um exército de um homem só.

Rambo no Brasil ?

Max Payne é, quase 100% das vezes, um exército de um homem só. Mesmo quando tem um NPC o acompanhando, este é mais burro que uma porta e erra mais do que um Stormtrooper. Logo se sinta logo responsável por fazer tudo no jogo. E quando eu digo fazer tudo é exatamente apenas uma estratégia. Cover + bullet time + atirar + “Vá se foder, seu gringo de merda !”. Aliás, isto é Max Payne 3.

O que me levou a uma decepção. Isso é realmente repetitivo e é basicamente tudo de gameplay que o jogo tem a te oferecer. Você pode buscar nos cenários por partes das ‘armas douradas’ e até algumas pistas relevantes ao crime, mas que não tem utilidade nenhuma na trama já que você pode muito bem avançar nela sem ver uma pista sequer. A sensação que passa é que você só está matando pessoas para ver a próxima cutscene. Eu sei que isso é recorrente em vários jogos atualmente, mas MP3 tinha o potencial de ser muito mais do que isso.

Mas verdade seja dita, o gameplay é extremamente bem executado. Todos os recursos que você possui são essenciais no decorrer dos embates. Se faz necessário o domínio do bullet time e suas variantes para poder avançar, por exemplo. E é divertido e, às vezes, até mesmo um puzzle saber utilizar na hora certa. A AI adversária é muito competente e adora de flanquear e aproveitar os seus espaços. Não espere facilidade. Não são raras as vezes que você morre no jogo e não são raras as vezes que você acaba perdendo mais analgésicos (que são o que curam o seu ‘HP’) do que esperava em uma batalha. Se você levar um tiro que iria te matar, por exemplo, mas tiver analgésico disponível, o jogo te dará uma oportunidade de sobreviver tentando matar o cara que quase conseguiu te matar.

Infelizmente o jogo raramente varia essa batalha. Por exemplo, quando tenta variar, em um duelo de snipers (que só acontece lá pro final do jogo), o evento acaba muito rápido. E ele te empolga enquanto acontece. Depois volta ao esquema normal. E às vezes parece exagerado demais a quantidade de inimigos. Quando não, parece que não acabam nunca e fica aquela sensação de “ok, vocês estão exagerando aqui”.

E então, gringo ?

Max Payne 3 é um dos bons jogos deste ano e facilmente cumpre o que promete. Dá uma nova vida e um novo ritmo ao personagem tão importante do começo dos anos 2000. O personagem permanece interessante e continua conversando com o jogador com suas frases de efeito e sua forma característica de ver o mundo. O jogo é belíssimo graficamente e tem uma ótima ambientação. Cheguei a encarar um bug durante o chapter do navio, mas acontece e não interferiu no gameplay. Não vi nenhuma reincidência de bugs até agora pela internet, então é algo que você não precisa se preocupar.

Voltando ao gameplay, ele é extremamente competente e bem feito. A curva de aprendizado do bullet time não é das mais fáceis. Você vai morrer um bocado de vezes até conseguir ter uma boa ideia de como funciona. E isso é bom. Um degrau a mais de dificuldade em um jogo que depende totalmente e exclusivamente disso. E mesmo dominando, você ainda vai morrer, a AI adversária é realmente fantástica.

Repetir é o seu principal problema. Faltou um pouco de ousadia da Rockstar (que sempre é muito ousada em seus projetos) em tentar mostrar algo novo no jogo, como um melhor sistema de exploração e um modo mais eficiente de te colocar na história além de matar bandidos para ver a próxima cutscene. A experiência acaba se tornando bastante on-rails. Além disso, a ação em demasia às vezes passa dos limites e você se sente um pouco cansado de fazer aquilo direto. Para mim custaram algo em torno de 14 horas de gameplay e fazendo basicamente a mesma coisa é um meio cansativo.

O jogo vale a pena ser jogado. Mas faltou ousadia e inovação. E não pela sua história, mas sim pelo que ele poderia ter sido. No final, ele seguiu o caminho mais simples para poder contar sua aventura. O jogo não deixa de cumprir o que prometeu. E trouxe com sucesso o personagem Max Payne de volta a ativa, o que é muito importante simbolicamente. Mas sempre ficará aquele “e se…” martelando na minha cabeça…

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3 Comentários

  1. A única coisa que me lembro em Max Payne for ter alugado esse filme e não ter assisto 8D Não que tenha sido algo ruim

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  2. Acho que a falta de ousadia no modo de avançar na história é uma das coisas que mais fode com jogos de grande potencial hoje em dia, principalmente sendo um jogo em que tem como característica tão marcante toda a trama fudida do personagem, isso meio que quebra o clima. =/

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  3. jogo lixo

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