As semelhanças entre I Am Alive e The Last of Us

Ellie, a garotinha do tijolinho

Nesta E3 de 2012 a Sony finalmente divulgou o gameplay de The Last of Us em sua conferência. Era o ponto alto da conferência na promessa e foi o ponto alto de toda a conferência na realidade, que na minha opinião, foi tão fraca quanto a da Microsoft, mas isso é assunto pra outro texto (que provavelmente não farei, não trato E3 como competição). Na verdade, The Last of Us foi um dos pontos mais altos da E3 inteira !

Ao ver o gameplay, algumas mecânicas e passagens do jogo me lembraram de I Am Alive, lançado neste ano via download na Live Arcade e na PSN. Ambos os jogos tem plots parecidas e a ideia central bem semelhante. Sobreviver num mundo pós-apocalíptico aonde todos os seus recursos são limitados. E quando eu digo limitados, acredite em mim, eles são REALMENTE limitados.

Foi com o trailer acima que I Am Alive foi anunciado na E3 de 2008. Prometendo mundos e fundos, com uma grande ideia de colocá-lo na pele de um personagem que brigava por uma garrafa d’água, por exemplo, para sobreviver, após uma grande catástrofe. Daí pra frente foi uma verdadeira queda de espiral na promessa do jogo. Desistência de estúdios, inúmeros atrasos e até mesmo toda uma repaginação na ideia do jogo. A queda foi contante e, depois de muita briga, e muito investimento retirado devido a descrença, saiu o jogo, porém simples, com gráficos limitados (mas não feios), na LIVE Arcade e um mês depois na PSN.

Comprei o jogo perto do lançamento. Comprei a ideia dele em 2008 mesmo ciente de tantos cortes orçamentários e de desenvolvimento. A ideia e a alma do jogo continuavam ali. Sobreviver com poucos recursos, desafiar o jogador no que diz respeito a manter o seu personagem vivo em um mundo de ruínas e alguns personagens hostis. Armas são escassas (principalmente as armas de fogo, obviamente), água é escassa e até uma espécie de ‘fadiga física’ é incluída no seu personagem.

Você controla um pai de família, que chamarei de O Protagonista (é, é um Homem Sem Nome). Ele é um dos sobrevivente do ‘The Event’, série de terremotos que dizimou, no mínimo, a cidade de Haventon, onde se passa a aventura. Mas é meio implícito que pegou o mundo inteiro, senão haveria assistência externa. Ele procura por sua mulher e sua filha, Julie e Mary. Para isso ele sai vasculhando toda a cidade em busca delas.

Com todo os cortes no jogo, ele teve que usar de alguns artifícios para não deixar parecer tanto a imagem de que foi largado. Sua palheta de cores é extremamente acinzentada, dando uma sensação de poeira em todos os lugares que você passa. Obviamente, uma sensação correta, já que tudo está em ruínas.

O jogo utiliza diversas mecânicas bem interessantes que te integram dentro do mundo destruído de Haventon. O uso de armas de fogo é extremamente importante no jogo, já que vai ser bem normal você se encontrar com apenas 1 ou 2 balas no pente, às vezes com diversos maloqueiros querendo te matar querendo os seus pertences, como por exemplo, água. A arma de fogo pode então ser usada como uma ameaça. Por exemplo, aponte a arma para seu adversário e deixe-o acuado. Afinal, ele não sabe se tem balas ou não e ele não vai querer arriscar, provavelmente, já que ali todo mundo realmente preza por sua vida. Isso acaba virando um uso tático, principalmente quando rodeado por muitos adversários.

Também é importante você vascular cada pedacinho de mapa que você puder, em busca de itens e suprimentos que podem ajudar a sua jornada. Água é escassa e é muito importante. Principalmente pois existe um sistema de fadiga do personagem, que se agrava quando ele está fazendo escaladas, por exemplo. Você dispõe de uma barra que te diz o quão o personagem está ‘confortável’ naquela escalada. Quanto mais você demora em uma, o personagem vai perdendo a barra. É aí que entra a água, ela te ajuda a repor esta barra, por exemplo. Claro que você sempre tem que traçar as melhorar rotas para escalar e evitar o gasto dos seus itens.

Outras coisas no jogo funcionam e te auxiliam. Não vou entrar em detalhes em todas, até mesmo pra num perder um pouco da mágica do jogo para quem tiver com vontade de jogar e não tiver tido a oportunidade. Eu, pessoalmente, gostei bastante, principalmente pelo preço baixo que ele tem de jogo Arcade e pelo seu bom retorno e jogabilidade interessante.

Ela já foi parecida com a Ellen Page…

Em Novembro de 2011 foram divulgados as primeiras informações de The Last of Us, a nova investida da Naughty Dog após 3 jogos da franquia Uncharted de extremo sucesso. Agora estavam colocando Nathan Drake em standby para investir em uma nova ideia. Decisão esta extremamente acertada da empresa, que admiro muito por seus bons trabalhos e sua ótima metodologia. Saber a hora de parar, principalmente quando, provavelmente, não tinha ideias que mantivessem o alto nível da franquia. Um pequeno standby para desenvolver uma nova ideia.

The Last of Us te jogará na pele de Joel, que passa o jogo com uma garotinha chamada Ellie. A interação entre ambos é vital e extremamente importante no desenvolvimento do jogo. O jogo se passará em Boston, 20 anos após a praga inicial que destruiu a sociedade. Ellie tem apenas 14 anos e nunca conheceu o mundo como ele era, o que faz ela ter uma personalidade forte e uma sabedoria que está bem a frente da sua idade. Sabendo disso, os diálogos entre os dois personagens prometem demais. O cara que conhecia o mundo e viu ele se desfazer e a garota que sempre viveu naquele inferno. Os diálogos podem ser extremamente ricos, e vindo da Naughty Dog, eu não duvido.

O que ligou os dois personagens envolve ainda uma aura de mistério. Mas sabe-se que, após um evento desconhecido, Joel prometeu a um amigo proteger Ellie. O jogo então corre por todo os Estados Unidos, com os personagens buscando escapar daquele inferno. Os dois então vão trabalhar em equipe durante toda a jornada, o que pode trazer ótimas interações, mas também algumas preocupações.

O cenário é belíssimo e os gráficos afiadíssimos. Não surpreende quem já observou a franquia Uncharted, mas é sempre um deleite ver isso. Se puder, veja o vídeo em HD, é altamente recomendado. Neste vídeo surgem algumas semelhanças com I Am Alive.

A furtividade é importante em ambos os jogos. Não chamar a atenção dos adversários é de suma importância pra a sua sobrevivência, obviamente. A escassez de balas é natural nesse estilo de jogo e ambos os jogos parecem usar isso muito bem. A preocupação em não gastar balas é evidente. Você tem poucas, tem que ser sábio ao utilizá-las. Daí vem uma das coisas que parecem muito interessantes no TLoU, que é o uso de todos os cômodos da casa e o comportamento de seus adversários. O cover do personagem também parece excelente.

Algo que me desagradou profundamente foi o life do personagem. Utilizar a barra é genial. Mas levar dois tirou uma tacada de golfe na cabeça só tirar metade dele ? Pode ser pela demo ser fácil ou algo assim, mas é interessante fazer o jogador sofrer e sentir na pele a delicadeza de viver num mundo pós-apocalíptico. Eu senti isso em I Am Alive.

Joel pega seu adversário e usa com proteção corporal. Avança para seu próximo adversário e ameaça matá-lo. Isso é demais ! E tem disso de utilizar sua arma para ameaçar o adversário em I Am Alive. Porém lá tem uma complicação de, pelos cortes de custos ou algo assim, quando você desempunha a arma e inimigo vem correndo pra cima de você, nem que seja por 1 segundo. Aqui a AI parece mais desenvolvida, conhecendo seus limites, apesar de ela ainda parecer meia retardada, mas creio ser por influência da demo, assim como o life.

Utilizar o seu tempo é importante no jogo também. E Ellie parece uma excelente ajuda, não apenas um peso morto que fica te incomodando e atrapalhando o tempo inteiro do seu lado. Nesta situação ela joga um tijolinho no adversário, o que causa uma oportunidade para você avançar contra ele e derrubá-lo. Mas isso tem um porém que eu gostaria de comentar depois…

Algo muito bacana é a possibilidade de criar itens com o que você pega no chão. Neste exemplo, Joel cria um molotov. E o legal é que o personagem se abaixa para abrir a sua mochila e fazer o item ! Porém, depois ele tira o item das costas… poxa, se ele abre a mochila pra fazer, faz ele fazer isso também pra buscar o item. Seria interessantíssimo, uma dificuldade a mais e uma estratégia a mais dentro do jogo. Além disso, o menu da mochila é bem informativo, mostrando suas munições e outros itens.

Após isso mais uma sequência de ação, que a própria Ellie ajuda Joel outra vez e o fim do trailer.

Pé na porta e pedaço de pau na cara !

Li informações que a Naughty Dog garantiu que esta sequência, assim como outras que terão no game, não são pré-determinadas. Mas será que não são ? O tijolinho… os possíveis quick time events… ou pequenas sequências, sei lá… a AI tem que ser MUITO avançada pra alterar isso durante todo o jogo, principalmente a de Ellie. Se a Naughty Dog conseguir isso MESMO, não precisa nem pensar pra quem dar o GOTY. E nós só vamos saber isso quando o jogo for lançado. Já é um motivo pra aguardar com curiosidade.

Além disso vai ser interessante até onde vai o uso de ameaça de armas, como no I Am Alive, que é bem competente, no quesito de ludibriar seu adversário mesmo com uma pistola vazia. Provavelmente The Last of Us terá disso. Mas aparentemente existiram ‘criaturas’ não humanas no jogo. Além de animais selvagens, por exemplo. As possibilidades são diversas.

A Naughty Dog está prometendo um jogaço, cheio de possibilidades e com coisas gigantescas por trás de tudo. Alguns elementos do jogo não são novidade, como muitos apontam. Algumas coisas já saíram em I Am Alive e, lembre-se, a ideia do jogo é de 2008. Mas isso não altera nem um pouco a grandeza que The Last of Us pode trazer. É um estilo de sobrevivência, que não precisa ser terror, como I Am Alive e que pode mesclar ambas as coisas, como promete The Last of Us (se eu estiver errado quanto a isso, por favor me corrijam). Espero que eles engatilhem uma crescida nesse gênero. Vai ser legal explorar isso em outros jogos também.

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12 Comentários

  1. “Algo que me desagradou profundamente foi o life do personagem. Utilizar a barra é genial. Mas levar dois tirou uma tacada de golfe na cabeça só tirar metade dele?” O cara tava jogando no very easy.

    Responder
  2. É o que eu falei depois.

    Responder
  3. COWBOY FROM HELL

     /  16/05/2013

    Parece ser um excelente jogo, pena que vai ser exclusivo pro ps3, pudia ter pra PC

    Responder
  4. Esse texto foi feito por um caixista.
    Nem precisei terminar de ler para saber.
    Nenhum jogo da atualidade é capaz de tirar a enorme grandeza de The Last Of Us. Sinto lhe informar.
    Em quesito gráfico e jogabilidade.
    rs

    Responder
    • 01) Se você tivesse lido o texto teria visto a data que ele foi feito, bem antes de sair o jogo, só com a demo da E3 na época.
      02) Eu joguei o jogo e gostei.
      03) Eu tenho um PS3.
      04) Quando for comentar de novo em um post, certifique-se de pensar direito antes de escrever qualquer merda pra difamar os outros.

      Abraços.

      Responder
  5. Não esperava uma resposta tão rápida mas vamos lá.
    Vou ignorar o fato de você “listar” seus argumentos como primeiro, segundo, terceiro. Isso é tão infantil.
    É mais que obrigatório você ter jogado TLOU, até porque como vai comparar algo sem nunca ter jogado ?
    Joguei a Demo de I Am Alive e faltou vomitar com a incrível ânsia que eu fiquei. Não me prendeu, achei bem chato e tedioso. Clichê para ser mais exato.
    Tenho uma pergunta para você.
    Me diga onde eu difamei alguém?
    Eu apenas disse fatos e contra fatos não há argumentos.
    Aceite ou não TLOU é incrível como gráfico e jogabilidade. Nem mesmo GTA V é um concorrente á altura para o Game Of Year.

    Responder
    • Pera, meu modo de listar argumentos é infantil por você não gostar ? lol

      Esse texto era uma preview do jogo. Repito, olhe a data que foi feito. Foi puramente um achismo em cima da demo da E3. Obviamente o jogo é completamente diferente. E muito superior da I Am Alive. Porém alguns esquemas da jogabilidade dele existem SIM em I Am Alive e até em outros jogos. Citei I Am Alive por ser praticamente contemporaneo de TLOU.

      Eu aceito que o gráfico é excelente. Tenho minhas queixas quanto a jogabilidade e discordo totalmente do palanque que você tá colocando o jogo que tem segmentos genéricos, AI fraquissima que quebra a imersão em vários trechos e o esquema imbecil de one man army que ele prega de um pedaço do jogo pra frente. Não seixa de ser um bom jogo.

      Also, só prq você QUER que TLOU seja o melhor jogo do ano, ele não é pra todo mundo. Não é pra mim, por exemplo. Não é pra algumas pessoas que eu conheço também. E não sou mais certo ou mais errado por isso.

      E como você mesmo disse, não leu o texto inteiro e preferiu chamar o autor de caixista. Sem contar que num conseguiu interpretar que isso era um preview feito no meio de 2012. Como você também não terminou o texto, não notou que eu tava basicamente explicando as features do jogo que tinham saído na época. Mas claro que é mais fácil taxar de caixista e jogar o texto pra baixo no lugar de terminar de ler e entender a que ele se propõe.

      Responder
  6. Só para enfatizar, não disse que TLOU é o melhor jogo do universo. Como qualquer outro, ele tem lá suas falhas com alguns bugs.(Mesmo que não tenha ocorrido bug algum enquanto eu estava jogando, vi vários vídeos na internet de bugs bem escrotos).
    É claro que existem jogos com maiores conteúdos. Mas, por hora, por enquanto, no quesito gráfico e jogabilidade do gênero, desculpa, mas não há.
    Quando lançarem novos do gênero, podemos comparar e não duvido que superem TLOU, mas só com o tempo rs

    Responder
  7. Mas então isso aqui é apenas um debate. Não estou querendo discutir, mas sua resposta merece uma contra-resposta.
    Se você considera ser chamado de “caixista” uma ofensa então… Isso já não é comigo. Eu só disse que você era provavelmente um caixista. Eu posso até estar errado. Você pode ter os dois consoles o que ainda lhe torna um caixista. É só uma classificação e não uma ofensa, pelo menos eu não a interpreto assim.
    Eu realmente não vi a data da publicação mas assim que você respondeu o meu primeiro comentário eu tratei de ler o texto inteirinho. Quanto aos argumentos listados, eu acho infantil. Se você não concorda…. Vai de cada um né, rs.
    Foi exatamente o que eu disse na resposta mais abaixo.
    EM MOMENTO ALGUM EU DISSE QUE ERA O MELHOR JOGO JÁ FEITO NA HISTÓRIA DOS CONSOLES.
    Está muito longe disso.
    Mas para o gênero e na atualidade em que se encontra, você e seus conhecidos podem até não concordar mas ele é sim um FORTE candidato a jogo do ano e espero realmente que ganhe.
    Sim, no sentido de lembrar bastante eu não tiro a sua razão.
    Quando eu joguei a Demo de I Am Alive só faltou vir a Ellie atrás de mim como acontece em The Last of Us.
    Digo no quesito de parecer bastante, lembrar.
    Mas na gráfica, chega a ser vergonhoso para os criadores de AI colocar um do lado do outro.
    Eu acho que ele é sim o melhor jogo deste ano! Essa é a minha opinião.
    Você pode e provavelmente tem uma contrária, até então, vai de cada um.

    Responder
  8. uma opinião*
    HAUAHAU

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  9. Wando

     /  05/06/2014

    Joguei the last of US o melhor jogo de ps3 junto de gow 3 o i AM Alive ainda não joguei acabei de saber de sua existência a poucos rsrs vou comprar e não analisar por vídeos e imagens rsrs , bom post gostei !

    Responder

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